Trapologia – arte de reutilizar tecidos

Trapologia

Trapologia – os trapos poderão ser úteis, ou são considerados velhos e sem uso? Será possível transformá-los em trapos novos?

O significado do termo trapo ou farrapo, reporta-nos para (…) «pedaço de tecido, geralmente de tecido velho». No entanto na Trapologia, os trapos e os farrapos são muito mais do que simples pedaços de tecidos velhos e sem qualquer serventia; eles adquirem a forma de peças de enorme apreço, às quais se conferem novas conotações e valores, com o propósito de serem colocados no mercado sob as mais variadas facetas.

Importa assim definir o conceito e acordemos os intelectos de quem olha para os trapos apenas como meras sobras. A Trapologia é a arte de juntar ou reaproveitar os tecidos, dar uma nova utilização, numa substituição para utilidades novas.

Ela despontou pela obrigação do Homem se vestir; no entanto, nos dias de hoje, as suas razões serão certamente outras: numa era em que o ser humano tem uma maior consciência ambiental, a reciclagem, faz sentido que se reutilize os referidos trapos velhos.

Trapologia Tradicional e Contemporânea

Trapologia

Trapologia Tradicional – fronha de almofada – Teresa de Jesus

Actualmente, existem indústrias fabricantes de tecidos, com o objectivo de abastecer a Trapologia. Deste modo é possível caracterizar no sector artesanal, dois tipos: a tradicional e a contemporânea.

Na tradicional, faz-se uso dos teares manuais, de agulhas de tricotar e inclusive dos próprios dedos, estando na razão de ser desta arte –  a reciclagem de trapos velhos, o seu valor fundamental. É neste contexto que acontece  o fabrico  de ferramentas e objectos de arte tradicionais.

Na contemporânea, a execução é essencialmente realizada através de máquinas de costurar, segundo uma planificação metodológica e adquirindo os tecidos no mercado. Por este facto, a Trapologia contemporânea carece de uma maior força económica do que a tradicional, em que somente se reutilizam velhos tecidos, por norma sobras de trabalhos de costura.

Trapologia

Trapologia Contemporânea

De referir que o modo de fabrico no modelo tradicional, a utilização das máquinas está sempre subordinada ao artesão. Esclareça-se igualmente que no modelo contemporâneo esta situação ao artista é igualmente uma realidade; no entanto naquela, a utilização das máquinas não visa poupar tempo ou mão-de-obra (como na grande indústria), mas apenas tornar mais cómodo o trabalho do artesão.

Outra característica que diferencia a Trapologia tradicional da contemporânea, reside nos efeitos visuais criados. Ao passo que os trabalhos resultantes da arte tradicional parecem um pouco mais desastrados – como se o artista executasse a peça sem atender à componente estética do produto final, mas somente com sentido da sua reutilização; na arte contemporânea, por norma, existe uma maior apuro, uma perfeição no fabrico da peça, no escolher dos materiais utilizados, constatando-se por vezes, o repetir de um dado padrão.

Ao observarmos uma peça de Trapologia contemporânea, quase imediatamente existe a associação ao Patchwork inglês, existindo no entanto a divergência da sua aplicação, atendendo que o Patchwork regra geral se rege por padrões predefinidos.

Trapologia

Trapologia Tradicional – Tapete – Margarida Cabarrão

Texto adaptado do original de Andreia Amaral, da Faculdade de Belas Artes de San Carlos, Espanha.

Trapologia com atribuição de Produtos Tradicionais Portugueses Qualificados, conforme lista da Qualifica.

TRAPOLOGIA DE CASTELO DE VIDE
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